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TV Digital: cercada de ceticismo, a interatividade avança

Criticadas por vários setores do ecossistema de TV Digital por não estarem investindo em interatividades semana passada foi a vez do VP de telecom da Samsung, Silvio Stagni, debitar na conta delas o atraso da chegada ao mercado de terminais 1-seg e full-seg da fabricante já com o Ginga embarcado _ as emissoras de TV brasileiras demonstram claramente não estarem paradas. Hoje a Rede Globo estreia a interatividade de mais uma novela, “Morde & Assopra” (*), enquanto a Band passa a transmitir a primeira aplicação interativa da TV brasileira da área de jornalismo, durante os horários de seus telejornais. Até o fim de Abril, a Globo também se prepara para pôr no ar aplicações interativas dos programas “Caldeirão do Huck” e “Domingão do Faustão”.

Na sequência, volta a transmitir sua aplicação interativa para o Brasileirão, nas versões full-seg e 1-seg, este ano com um conjunto adicional de informações, incluindo dados estatísticos sobre cada jogador. “Temos a consciência tranquila de que estamos ampliando a grade de interatividade no ar. Já temos mais de 30 horas de transmissão de interatividade para terminais full-seg e, até o fim do Big Brother, eram 8 horas de interatividade para terminais 1-seg”, afirma o diretor de engenharia da TV Globo São Paulo, Raymundo Barros. “Fazemos um esforço permanente para ampliar a grade interativa”, completa o executivo. Raymundo Barros garante que as estratégias para interatividade e mobilidade da Rede Globo estão rigorosamente dentro do planejado. “Sabemos que são dois aspectos novos da TV Digital que levam muito tempo para serem massificados. Foi assim também no Japão”, comenta.

Com relação à mobilidade, a Rede Globo foca não só no desenvolvimento das aplicações interativas 1-seg, como também no desenvolvimento de aplicativos móveis para os sistemas iOS e, agora, Android. “O que amplia muito o nosso alcance”, diz Raymundo. Semana passada, durante a cerimônia de apresentação da nova grade de programação da emissora para a imprensa especializada e as agências de publicidade, a Rede Globo distribuiu algumas unidades do tablet Galaxy Tab com conteúdo próprio embarcado (fotos, clips, wallpapers, uma versão do Google Maps com detalhes do Projac e aplicativos Android) e até a implementação Ginga da Samsung para terminais 1-seg, para possibilitar o uso da interatividade transmitida hoje. No caso, com o fim do Big Brother, apenas a voltada para futebol, durante as partidas do campeonato paulista. “A intenção foi mostrar para a imprensa e o mercado publicitário todas as possibilidades das ações que estamos fazendo rumo ao modelo estratégico de uma media station, com vários canais de distribuição. Já não somos apenas uma TV station”, explica Raymundo. “Esse é um processo de longo prazo, em implantação”, diz.

Interatividade tem massa crítica

Segundo o executivo, a Globo tem feito várias pesquisas sobre a receptividade de seus conteúdos interativos casados com a programação. “Percebemos que já temos massa crítica, principalmente quando olhamos o resultado das enquetes que colamos no ar”, diz. Hoje, as enquetes são um componente padrão das aplicações interativas da emissora, tanto em terminais 1-seg quanto em full-seg. Nos terminais 1-seg as aplicações usam dois tipos de canal de retorno: via SMS e via plano de dados 3G. Nos full-seg, o retorno é via conexão internet das TVs conectadas. A cobertura da transmissão interativa também foi ampliada. Segundo Raymundo, as aplicações transmitidas a partir do Rio de Janeiro e de São Paulo já chegam a todas as praças, retransmitidas por todas as afilidas, no caso dos programas em rede nacional, como as novelas, e caso a caso, em aplicações como futebol. “No Brasileirão, transmitimos três partidas simultaneamente: 40% veem a mesma partida transmitida para São Paulo, outros 40% a do Rio e 20% a de um terceiro estado”, diz. “Não vamos deixar de investir em interatividade porque só pouco mais de 20% dos domicílios brasileiros têm um receptor de TV digital”, afirma Raymundo Barros. “Esse já é um número significativo”, completa. Nas contas da Globo, hoje, cerca de metade dos domicílios brasileiros já é coberta pelo sinal digital de alguma emissora de TV. E, a medida que a indústria de recepção continuar fazendo a sua parte, investindo no padrão nipo-brasileiro, esse número só crescerá.

 BAND 

A interatividade do Jornal da Band será demonstrada no NAB Show 2011, que acontece entre 9 e 14 de abril no Las Vegas Convention Center, em Las Vegas, Estados Unidos, pela EiTV. O desenvolvimento do aplicativo foi da HXD, que também desenvolveu a interatividade da TV Brasil.

O NAB 2011 terá um pavilhão brasileiro (Pavilhão Brasil – SU 4625), onde o Fórum SBTVD e seus associados – EiTV, Inatel, Linear, Screen Service, TQTVD, Tecsys e STB – farão demonstrações do padrão nipo-brasileiro de TV digital com transmissões simultâneas em televisores e em dispositivos móveis. O Ginga, middleware de interatividade desenvolvido no Brasil, será demonstrado durante todo o evento em um televisor com o middleware embarcado cedido pela Panasonic, rodando aplicações da TOTVS.

 EXPANSÃO INTERNACIONAL – O Brasil acaba de assumir de forma efetiva a presidência do Fórum ISDB Internacional. Desde dezembro passado, o presidente do Fórum SBTVD, Roberto Franco, estava interinamente à frente da entidade e agora permanecerá no cargo para um mandato de dois anos. Ana Eliza Farias também foi eleita, por aclamação, coordenadora do grupo de harmonização de Normas ISDB internacional.

BROADBAND TV – Ao contrário do SBT, que considera broadband tv e a interatividade da tv digital aberta, via Ginga, complementares, a Rede Globo vê as duas tecnologias como negócios muito diferentes. Segundo Raymundo Barros, broadband tv constitui uma estratégia de catch up importante, associada à Globo Marcas. “Faz todo sentido ter uma loja da Globo Marcas nas broadband tvs”, diz o executivo. O que incomoda muito à Rede Globo é a falta de padrão para a tecnologia. “Não dá para ter cinco enfoques diferentes para o mesmo produto”, afirma o executivo. Segundo ele, a Globo segue discutindo estratégia de parcerias e de conteúdo para broadband tv. E deve lançar algo ainda este ano.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/blog/circuito/2011/04/04/tv-digital-cercada-de-ceticismo-a-interatividade-avanca/


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